quinta-feira, 21 de maio de 2009


A ventania

Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém,
nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha
cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que
bate em minha cara.

Eduardo Galeano

domingo, 17 de maio de 2009


Doutor, venho aqui pedir ajuda.
Pode bater raio-X, cronometrar meu tempo, bater no meu joelho que não é disso que estou falando. Estou com um problema respiratório. Não, eu não fumo – na verdade, deveria... Não consigo respirar fundo, doutor. Não consigo ter a (c)alma de alguem que deixa muito ar entrar e está bem com isso. De repente fumando acabo me obrigando a tal movimento, mas não enxergo isso como um processo natural e, assim como não quero viver a vida a base de remedios, não quero depender de cigarros. Alias, acho que esse é o principal problema, tenho incucado na cabeça que nao posso depender de nada e de ninguém. Com isso, fico com medo do que se aproxima demais a ponto de entrar e ficar em mim, mesmo que precise deste para viver.

Doutor, estou com falta de ar e de amor.

terça-feira, 17 de março de 2009


Tapete no chão, pés no tapete, roupas brancas, alma clara, uma benção.

E começa o show com uma mistura de músicas e expectativas - sinceramente ambas se superaram... Arranjos alegres e cheios de intenção e sentimento marcaram as noites do estrela da lapa esse fim de semana. Um presente quase personalizado - com dedicatória e tudo - pra cidade do Rio.
E eu fico com o meu, contente com a troca e o carinho.

quarta-feira, 4 de março de 2009

CApianos


"Nós ainda não causamos problema no mundo porque somos poucos."

segunda-feira, 2 de março de 2009

O amor

Na selva amazônica a primeira mulher e o primeiro homem se olharam com curiosidade. Era estranho o que tinham entre as pernas.
- Te cortaram? - perguntou o homem.
- Não - disse ela - Sempre fui assim.
Ele examinou-a de perto. Coçou a cabeça. Ali havia uma chaga aberta. Disse:
- Não comas mandioca, nem bananas, e nenhuma fruta que se abra ao amanhecer. Eu te curarei. Deita na rede, e descansa.
Ela obedeceu. Com paciência bebeu os mingaus de ervas e se deixou aplicar as pomadas e os ungüentos. Tinha de apertar os dentes para não rir, quando ele dizia:
- Não te preocupes.
Ela gostava da brincadeira, embora começasse a se cansar de viver em jejum, estendida em uma rede. A memória das frutas enchia sua boca de água.
Uma tarde o homem chegou correndo através da floresta. Dava saltos de euforia e gritava:
- Encontrei! Encontrei!
Acabava de ver o macaco curando a macada na copa de uma árvore.
- É assim - disse o homem, aproximando-se da mulher.
Quando acabou o longo abraço, um aroma espesso, de flores e frutas, invadiu o ar. Dos corpos, que jaziam juntos, se desprendiam vapores e fulgores jamais vistos, e era tanta a formosura que os sóis e os deuses morriam de vergonha.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Janeiro 2009

Escrevo buscando inspiração. Escrevo esperando que as palavras se formem numa ordem lógica improvisada que siga uma harmonia com o ritmo que me forma e quem sabe fazer uma música minha concreta que mostre aquela minha espontaneidade que também pode se chamar improviso que eu já falei nessa frase.

Acho que amo os apaixonados. Amo as paixoes, a sensação, o momento, tempo no espaço que parece que pára, os sorrisos que brotam com força e certeza de que tem que ser, o futuro de si que se forma tatuagem na alma, o corpo que dança ritmo apaixonado, a mente que cria realidades...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


E ontem, no meio de tudo, parece que o mundo parou.
Desesperei, tive vontade de sentar e chorar, mas nem isso saiu de mim. Como se não tivesse de onde sair tanta força. Estou fraca, frágil. Estou nada. Foi aí que eu percebi que de mim, o que eu admiro sao os meus amigos. Olhei para um lado, olhei para outro, para todos e tudo o que vi foram amigos. Foram olhares. Sorrisos. Foi me sentir à vontade apesar de tudo. Peço desculpas aos meus amigos, acho que até entao não tinha dado a chance de me sentir totalmente à vontade. Acho que nunca tinha me deixado ser tão eu. Nunca tinha me mostrado tão vazia.

É recíproco. O carinho será retribuído lealmente, realmente, eternamente.

domingo, 15 de fevereiro de 2009


Sabe-se muito de si amando.
(mas isso nao é motivo pra sair por aí procurando um amor.)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Não aguento mais falar de amor.
Parece que a cada vez que penso e escrevo, ele vai se desfazendo, se dissipando no meu espaço. O meu amor é vivido, é secreto, é sentido. Quanto mais eu digo de amor, menos ele existe de fato (mais ele existe só em mim – e sinceramente, já deu de platonismo).
O meu amor é o momento, de momento, não tem hora e nem forma, não tem endereço de chegada e também não sei qual parte de mim é o remetente.
Me sinto perdendo tempo falando do amor. Assim, conforme o tempo passa vem a distância, tão esperada, entre eu e ele.

E, assim, repito a pergunta:
será que permaneço capaz para o amor?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"(...) sou uma amadora, uma viciada em cores, uma pessoa que
precisa enxergar além das paredes, inverter a realidade,
preciso criar, me sujar, lambuzar minhas angústias,
dar forma à minha loucura (...)"